BITmarkets Team
Feb 12, 2026
Os legisladores aprovaram o relatório anual do BCE com 443 votos a favor, 71 contra e 117 abstenções, endossando a linguagem que descreve o euro digital como "essencial" para reforçar a soberania monetária europeia, reduzir a fragmentação nos pagamentos de retalho e fortalecer o mercado único. A resolução atribui uma importância crescente ao papel do dinheiro digital público na redução da dependência de prestadores de serviços de pagamento não pertencentes à UE e de instrumentos de pagamento privados.
Os membros do Parlamento Europeu também salientaram que o BCE deve permanecer independente e protegido da influência política, afirmando que a autonomia do banco central é fundamental para preservar a estabilidade dos preços e manter a confiança do mercado. Durante a sessão plenária, Johan Van Overtveldt, deputado europeu e ex-ministro das Finanças belga, salientou que «a independência do BCE não é um pormenor técnico».
Advertiu que a experiência histórica mostra que a interferência política nos bancos centrais «conduz invariavelmente à inflação, à instabilidade financeira e até a turbulências políticas desagradáveis». Argumentou ainda que reafirmar a independência é «ainda mais importante no atual contexto global», comparando a estabilidade monetária e financeira a serviços essenciais como a água e a eletricidade, cujo valor se torna mais visível quando são interrompidos.
A resolução adotada afirma que, embora o BCE avance com o trabalho sobre o euro digital, o dinheiro físico continuará a desempenhar um papel significativo na zona euro, sendo tanto o dinheiro físico como o euro digital reconhecidos como moeda com curso legal. O apoio parlamentar surge no contexto de esforços mais amplos por parte de decisores políticos e economistas para enquadrar o euro digital como um bem público e uma salvaguarda geopolítica.
O membro do conselho executivo do BCE, Piero Cipollone, descreveu recentemente o projeto como “dinheiro público em formato digital” e o relacionou às preocupações com a “militarização de todas as ferramentas imagináveis”. Ele argumentou que a Europa precisa de um sistema de pagamentos de varejo “totalmente sob nosso controle” e baseado em infraestrutura doméstica, em vez de redes estrangeiras.
No início do ano, 70 economistas e especialistas em políticas instaram os legisladores a "deixar o interesse público prevalecer" em relação ao euro digital, alertando que, sem uma alternativa pública forte, as stablecoins privadas e os provedores de pagamentos estrangeiros poderiam expandir sua influência sobre o cenário de pagamentos digitais da Europa, aumentando a dependência sistêmica durante períodos de estresse.
O euro digital continua sujeito à aprovação dos co-legisladores da UE, com o BCE atualmente focado na preparação técnica. Se a legislação avançar durante 2026, uma fase piloto poderá começar em 2027, e o Eurosistema poderá estar preparado para uma emissão inicial por volta de 2029.
Fontes:
https://www.ecb.europa.eu/press/pr/date/2025/html/ecb.pr251030~8c5b5beef0.en.html
https://cointelegraph.com/news/european-parliament-backs-ecb-digital-euro