BITmarkets Team
May 26, 2026
De acordo com uma notícia da Bloomberg divulgada na sexta-feira, citando fontes familiarizadas com o assunto, esperava-se que a «isenção de inovação» proposta pela SEC para ações baseadas em criptomoedas fosse lançada durante a semana. A equipa da SEC já teria analisado um projeto de quadro regulamentar para a negociação de ações tokenizadas.
O regulador terá recebido feedback de centenas de participantes do mercado sobre como tais regras poderiam ser estruturadas, embora não tenha sido tomada nenhuma decisão final relativamente às revisões da proposta. Ao abrigo do quadro, as plataformas que oferecem ações tokenizadas seriam obrigadas a garantir que os investidores recebem os mesmos direitos que os acionistas tradicionais, incluindo privilégios de voto e pagamentos de dividendos.
Os participantes do setor terão, alegadamente, manifestado preocupações quanto à possibilidade de terceiros emitirem versões tokenizadas de ações sem a aprovação das empresas cotadas. Foram também levantadas questões sobre como os direitos de propriedade poderiam ser verificados em redes de blockchain semi-pseudónimas.
A SEC tem, de um modo geral, demonstrado maior abertura em relação a produtos financeiros relacionados com criptomoedas durante a administração de Donald Trump, um período que coincidiu com o crescente interesse de Wall Street na tokenização e nas stablecoins.
De acordo com dados da RWA.xyz, aproximadamente 34 mil milhões de dólares em ativos do mundo real foram tokenizados até ao momento, incluindo cerca de 1,55 mil milhões de dólares em ações tokenizadas. No entanto, a adoção tem permanecido abaixo das expectativas iniciais de instituições como o Citibank e a McKinsey & Company, que projetavam que a tokenização poderia evoluir para um mercado de vários biliões de dólares até 2030.
Várias figuras da indústria de criptomoedas acolheram com agrado a decisão da SEC de adiar a implementação. Carlos Domingo, CEO da plataforma de tokenização Securitize, afirmou numa publicação no X que é importante garantir que a «isenção se aplique aos instrumentos certos». «É melhor adiá-la do que errar e desencadear todo o tipo de problemas.»
Da mesma forma, Tom Farley, CEO da bolsa de criptomoedas Bullish, comentou: «...perceber que as empresas cotadas em bolsa são as únicas entidades que podem emitir tokens que representam uma ação! Excelente trabalho ao adiar e acertar isto.»
O adiamento surge na sequência de comentários da comissária da SEC, Hester Peirce, que indicou que qualquer isenção seria provavelmente «de âmbito limitado» e se aplicaria inicialmente apenas a «representações digitais» de ações, semelhantes aos produtos já disponíveis nos mercados secundários.
No início deste ano, a SEC também distinguiu entre diferentes formas de títulos tokenizados. Os títulos tokenizados com custódia referem-se a ações tokenizadas garantidas pelo emitente, detidas através de intermediários regulamentados e que conferem plenos direitos de acionista. Em contrapartida, os títulos tokenizados sintéticos proporcionam exposição às variações de preço sem conceder a propriedade do ativo subjacente.
A discussão em evolução destaca o desafio que os reguladores enfrentam ao equilibrar a inovação com a proteção dos investidores, à medida que as ações tokenizadas se aproximam dos mercados financeiros tradicionais.
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