BITmarkets Team
Jun 12, 2026
Numa declaração na quinta-feira, Nawrocki reiterou o seu apoio à regulamentação das criptomoedas, mas argumentou que a legislação não abordava a maioria das preocupações levantadas pelo seu gabinete. Segundo o presidente, apenas uma das 16 alterações propostas foi incluída, enquanto a versão mais recente do projeto de lei permaneceu praticamente inalterada em relação às duas versões anteriores que ele já tinha rejeitado.
Este último veto adia ainda mais a integração da Polónia no quadro MiCA da UE, apenas algumas semanas antes do termo do período de transição do regulamento, a 1 de julho. Assim que o período de carência terminar, os prestadores de serviços de criptoativos que operam na UE serão obrigados a obter uma licença MiCA ou a deixar de prestar serviços a clientes europeus.
A Polónia continua a ser o único Estado-Membro da UE que ainda não introduziu legislação nacional para implementar a MiCA. Consequentemente, as empresas de criptomoedas sediadas no país que não consigam obter uma licença MiCA poderão perder a autoridade legal para prestar serviços a clientes em toda a União Europeia após o prazo de julho.
A decisão intensificou a disputa política em curso em torno da regulamentação das criptomoedas na Polónia. O primeiro-ministro Donald Tusk criticou o veto numa publicação no X, escrevendo: «Parece inacreditável, mas o presidente vetou novamente o projeto de lei sobre criptomoedas. Ele parece estar mais envolvido nisto do que todos pensavam.»
A mais recente rejeição surge na sequência de uma tentativa falhada do parlamento, no início deste ano, de anular o segundo veto de Nawrocki. Em abril, os legisladores não conseguiram garantir os 263 votos necessários para anular a decisão do presidente e aprovar a legislação apoiada pela administração de Tusk.
Nawrocki defendeu a sua oposição ao projeto de lei, argumentando que este poderia introduzir regulamentação excessiva, reduzir a transparência e impor encargos desnecessários às pequenas empresas que operam no setor. Entretanto, responsáveis governamentais alertaram que os atrasos contínuos deixam tanto os consumidores como as empresas mais vulneráveis à fraude e aos abusos de mercado.
O terceiro veto surge num momento em que a indústria de criptomoedas da Polónia enfrenta um crescente escrutínio regulatório e jurídico. Os procuradores estão atualmente a investigar uma das maiores bolsas de criptomoedas do país, a Zondacrypto, devido a alegações de fraude e branqueamento de capitais. A investigação envolve, alegadamente, cerca de 2 000 clientes e supostas ligações a redes do crime organizado russo.
O CEO da Zondacrypto, Przemysław Kral, negou qualquer irregularidade e rejeitou as alegações de que os fundos foram desviados. A investigação em curso, combinada com o contínuo atraso na implementação da MiCA, acrescentou ainda mais incerteza ao panorama das criptomoedas na Polónia, à medida que se aproxima o prazo regulamentar da UE.
Fontes:
https://cointelegraph.com/news/polish-president-vetoes-crypto-bill-third-time-mica-deadline